Espiritismo e violência

Por Umberto Fabbri

A discussão em relação ao tema da violência não é nova. Os periódicos no mundo trazem estampadas em suas primeiras páginas, cenas que fazem parte do cotidiano e por vezes aceitas como produto de consumo vulgar.

O coro se estende dizendo que a violência não tem mais controle e sugerem medidas drásticas de contenção, que por incrível que pareça, são na sua grande maioria mais violentas ainda.

Mas a pergunta que se faz é: o ser aqui reencarnado está realmente mais violento?

As respostas rápidas surgem afirmativamente, seguidas da seguinte expressão: “é lógico que sim!!!”

Será? Estudos publicados recentemente na Universidade de Harvard nos USA, apontam que o ser humano nunca esteve tão menos violento e pacífico como nos últimos 60 anos.

Mas é aquela velha história da análise imediata: “Veja quantos conflitos ao redor do mundo, quantas atitudes violentas partindo de grupos ou de caráter individual”,    recitam alguns.

Não podemos, nos transformarmos em otimistas irresponsáveis, daqueles que não querem enxergar o óbvio. Mas daí partirmos para uma conclusão apressada, vai uma grande distância.

Se formos buscar informações históricas, ficaremos boquiabertos com duas grandes guerras, em um curtíssimo período de tempo entre uma e outra.

A primeira de 1.914 à 1918, seguida pela II Grande Guerra, que se iniciou em 1.939 com a sua finalização somente em 1.945.

Somente na segunda guerra mundial, estima-se que o conflito ceifou a vida de 50 milhões de pessoas.

Sem dúvida, a questão da violência não pode ser menosprezada nos dias que correm, não podemos utilizar situações anteriores para justificarmos as atuais. Porém, aceitar pura e simplesmente que as coisas estão mudando para pior, seria questionar a Sabedoria Divina, relativa a evolução do ser humano em nosso planeta.

Não consta na literatura espírita, em nenhuma obra que tenhamos estudado, que o ser regrida tal como no processo da Metempsicose e sim, por opção, pode ele estacionar. Estacionamento esse bastante relativo,  e sinceramente, o consideramos parcial, porque por mais que negligenciemos a oportunidade do aprendizado e do desenvolvimento, alguma coisa ficará retida em nós, pelo simples movimento da vida, em qualquer plano em que nos encontrarmos.

Claro está que, perderemos a oportunidade de amealharmos maior conhecimento e desenvolvimento, mas até para o aluno repetente, existe uma lição  e consequentemente, pelo mínimo que seja, um certo grau de amadurecimento e aprendizado.

Logo, o ser não regride, e se não o faz, os aspectos relativos à violência não podem estar mais ressaltados em nós do que em nosso passado relativamente recente.

Entender isso não é tarefa tão complexa, basta ver o horror que nos causa hoje determinados e infelizes acontecimentos, apresentados diariamente pelos mais variados veículos de comunicação; no entanto, não faz muito tempo, a diversão de uma boa parcela da população global era assistir pessoas se degladiando até a morte.

Claro está que nós estamos mais informados, e por falta do exercício do Evangelho do Cristo, o consumo dessas informações ainda tem preponderância, por vezes, em nossas escolhas, não generalizando, obviamente.

Buscam-se soluções em modelos os mais diversos, e natural está que o esforço da diminuição da violência passa pela nossa responsabilidade, relembrando os ensinos de Jesus: ‘Aquilo que se planta, colhe-se”.

Logo, é de responsabilidade de cada um, modificarmos nosso comportamento nos padrões do Evangelho do Cristo. A violência começa dentro do próprio lar, e este pode ser o exportador de pacificadores ou de guerreiros.

A pergunta é simples e já data de mais de 2.000 anos:  até quando resistiremos a aplicação plena do Evangelho em nossas vidas?

A resposta é naturalmente de caráter individual, e em caso de reclamações ou dúvidas, a própria pessoa deverá ser consultada.

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