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Jose Herculano Pires

¿Vamos a dejar los Espiritus en Paz?

El joven había llegado de un viaje por URSS, Bulgaria, el Congo, Calcuta y Paris. Hiciera una escala en Cuba para ver con sus ojos el caso del racionamiento del azúcar. Lamentaba no haber podido asistir al lanzamiento del Apolo-8, pero espera estar presente en el del Apolo-9, que al final será más importante. A cierta altura no se contuvo y me preguntó, con un brillo irónico en los ojos: “Después de todo lo que vi, le pregunto a usted, ¿qué vamos a hacer con los espíritus? No hay lugar para ellos. El mundo es de los hombres de carne y hueso. Los muertos están enterrados”.

Los cuatro compañeros de la mesa soltaron una carcajada, acompañada de burlas. Uno de ellos repitió: “¿Qué es lo que vamos a hacer con los espíritus?” Reí también y respondí con otra pregunta: “¿Qué vamos a hacer con la muerte?” La carcajada general casi me atontó. El muchacho cosmopolita respondió: “Otra vez la muerte. ¡Problema solucionado: siete palmos de tierra o el horno crematorio!”

Les recordé entonces: “Los rusos ya se tornaron campeones en experiencias de telepatía; los americanos juzgan que la mente y el pensamiento no son físicos, materiales; los ingleses (teoría de los psícons de Whatelly Carrington, experiencias de Soal con voz directa; Harry Price y la sobrevivencia de la mente después de la muerte del cuerpo, etc.) encaran científicamente el problema de la sobrevivencia. Es más, los físicos de hoy, como afirma Rhine, ya no creen en el exclusivismo de la fuerza y la materia, y para tal fin la tratan como antimateria, antiátomo y hasta de antiuniverso”.

No era agua, sino gasolina en ebullición. Hicimos la gritería y no fue posible decir una sola palabra más. Pero una cosa quedó bien clara: todos aquellos jóvenes “modernos” (habían dos “mayores”) no entendían nada de las cuestiones que proponían. Aún el joven cosmopolita, que tanto viajara y tanto viera, nada aprendiera de la verdadera situación cultural del momento. Jugaban con “slogans”, con ideas hechas, con mucho deseo de hacer bulla y principalmente de parecer diferentes. La orden era esa: dar contra los “arcaicos”. Y yo, con mis espíritus, era seguramente el representante de la clase renegada, de la generación obturada.

Cuando salimos de allí el muchacho cosmopolita me acompañó. A solas pudimos conversar mejor. El abrió los ojos espantado cuando le dije: “Los espíritus son una de las fuerzas de la naturaleza. No son almas del otro mundo. No están en el cielo en contemplación eterna, ni en el infierno o por ahí, como ustedes dicen, endemoniando a los mortales. Los espíritus de los muertos son criaturas humanas, como usted y yo, simplemente transferidas, por la muerte, de un plano de la materia para otro. Nosotros los espíritas, no andamos perturbando a esa gente del más allá, como ustedes piensa. Esa gente está aquí mismo y el más allá aquí. Es gente que posee un cuerpo material, el perispíritu, que los antiguos llamaban cuerpo espiritual. Gente que se interesa por nosotros y que vive comunicándose con nosotros desde que el mundo es mundo”.

-“Si eso es así aún puedo pensar en la cosa”, respondió pensativo. “Pero siempre me dijeron lo contrario. Que los espíritus son almas del otro mundo, fantasmas, supersticiones y nada más. Y que vosotros, los espíritas, viven enredados en esas ideas y dialogando con lo que no existe. “Anduvo unos pasos en silencio y remató: “Si usted puede probarme que eso es así, que yo puedo espiar a esa gente, soy capaz de cambiar de idea. Mire, si me arregla una sesión de materialización, pero de las buenas, ¿sabe? Soy capaz de meterme en ese embrollo”.

Por Jose Herculano Pires del Libro El Hombre Nuevo

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Jose Herculano Pires

O Grande Desconhecido

Todos falam de Espiritismo, bem ou mal. Mas poucos o conhecem. Geralmente o consideram como uma seita religiosa comum, carregada de superstições. Muitos o vêem como uma tentativa de sistematização de crendices populares, onde todos os absurdos podem ser encontrados. Há os que o aceitam como nova Goécia, magia negra da Antigüidade disfarçada de Cristianismo milagreiro. Grandes cientistas se deixaram envolver nos seus problemas e se desmoralizaram. Outros entendem que podem encontrar nele a solução para todos os seus problemas, conseguir filtros de amor e os 13 pontos da Loteria Esportiva. E na verdade os seus próprios adeptos não o conhecem. Quem se diz espírita arrisca-se a ser procurado para fazer macumba, despachos contra inimigos ou curas milagrosas de doenças incuráveis. Grandes instituições espíritas, geralmente fundadas por pessoas sérias, tornam-se às vezes verdadeiras fontes de confusão a respeito do sentido e da natureza da doutrina. O Espiritismo, nascido ontem, nos meados do século passado, é hoje o Grande Desconhecido dos que o aprovam e o louvam e dos que o atacam e criticam.

Durante muito tempo ele foi encarado com pavor pelos religiosos, que viam nele uma criação diabólica para perdição das almas. Falar em fenômenos espíritas era provocar votos de esconjuro. Ler um livro-espírita era pecado mortal, comprar passagem direta para o Caldeirão de Belzebu. Médicos ilustres chegaram a classificar o Espiritismo como fábrica de loucos. Quando começaram a surgir os hospitais espíritas para doenças mentais, alegaram que os espíritas procuravam curar loucos que eles mesmos faziam para aliviar suas consciências pesadas. E quando viram que o Espiritismo realmente curava loucos incurá- veis, diziam que os demônios se entendiam entre si para lograr o povo.

Hoje a situação mudou. Existem sociedades de médicos espí- ritas e as pesquisas de fenômenos mediúnicos invadiram as maiores Universidades do Mundo. Não se pode negar que a coisa é séria, mas definir o Espiritismo não é fácil. Porque ninguém o conhece, ninguém acredita que se precisa estudá-lo, pensam quase todos que se aprende a doutrina ouvindo espíritos. Os intelectuais espíritas são confundidos com médiuns. Quem escreve sobre Espiritismo não escreve, faz psicografia. Acham que para estudar a doutrina é preciso desenvolver a mediunidade e receber maravilhosas lições de Espíritos Superiores.

Não obstante, o Espiritismo é uma doutrina moderna, perfeitamente estruturada por um grande pensador, escritor e pedagogo francês, homem de letras e ciências, famoso por sua cultura e seus trabalhos científicos e que assinou suas obras espíritas com o pseudônimo de Allan Kardec. Saber isso já é saber alguma coisa a respeito, mas está muito longe de ser tudo. Doutrina complexa, que abrange todo o campo do Conhecimento, apresenta-se enquadrada na seqüência epistemológica de:

  1. Ciência – como pesquisa dos chamados fenômenos paranormais, dotada de métodos próprios, específicos e adequados ao objeto que investiga, tendo dado origem a todas as ciências do paranormal, até à Parapsicologia atual e seu ramo romeno, que se disfarça sob o nome pouco conhecido de Psicotrônica, para não assustar os materialistas.
  2. Filosofia – como interpretação da natureza dos fenômenos e reformulação da concepção do mundo e de toda a realidade segundo as novas descobertas científicas; aceita oficialmente no plano filosófico, consta do Dicionário Filosófico do Instituto de França; no Brasil, reconhecida pelo Instituto Brasileiro de Filosofia, constando do volume Panorama da Filosofia em São Pauto, edição conjunta do Instituto e da Universidade de São Paulo, coordenação do Prof. Luiz Washington Vitta.
  3. Religião – como conseqüência das conclusões filosóficas, baseadas nas provas da sobrevivência humana após a morte e nas ligações históricas e genésicas do Cristianismo com o Espiritismo; considerado como a Religião em Espírito e Verdade, anunciada por Jesus, segundo os Evangelhos; religião espiritual, sem aparatos formais, dogmas de fé ou instituição igrejeira, sem sacramentos.

Essa seqüência obedece as leis da Gnosiologia, pelas quais o conhecimento começa nas experiências do homem com o mundo e se desenvolve nas ilações do pensamento, na cogitação filosó- fica e determina o comportamento humano dentro do quadro da realidade conhecida; como no Espiritismo essa realidade supera os limites da vida física, a moral se projeta no plano das relações do homem com a Divindade, adquirindo sentido religioso.

Colocado assim o problema, a complexidade do Espiritismo se torna facilmente compreensível. Tudo no Universo se processa mediante a ação e o controle de leis naturais, que correspondem à imanência de Deus no Mundo através de suas leis. Toda a realidade verificável é natural, de maneira que os espíritos e suas manifestações não são sobrenaturais, mas fatos naturais explicá- veis, resultantes de leis que a pesquisa científica esclarece. O Sobrenatural só se refere a Deus, cuja natureza não é acessível ao homem neste estágio de sua evolução, mas o será possivelmente, quando o homem atingir os graus superiores de sua evolução. Todas as possibilidades estão abertas e franqueadas ao homem em todo o Universo, desde que ele avance no desenvolvimento de suas potencialidades espirituais, segundo as leis da transcendência.

Jose Herculano Pires – Curso Dinamico de Espiritismo.

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