NA
PRÁTICA DO BEM
Carlos
Campetti
A
teoria é necessária e, na maioria dos casos, imprescindível.
No entanto, se não serve de base para a ação, perde
a sua função e, com o tempo, acaba por ser substituída
por outras teorias mais adequadas à sucessão natural dos
fatos.
Toda doutrina abrange um conjunto de teorias que pretende estejam, o
máximo possível, próximas da realidade, servindo
de apoio para os passos presentes e futuros dos indivíduos que
adotam os conceitos dessa doutrina como normas para suas vidas.
| "Dentro
da concepção espírita, a caridade surge como
o único caminho seguro para a salvação." |
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O Espiritismo não foge a essa regra. Apresenta um corpo doutrinário
denso e respeitável, com teses apoiadas na razão e que
servem de norte para as pessoas que pretendem crescer espiritualmente.
A caridade, apresentada como bandeira da Doutrina Espírita e
analisada pelos Espíritos superiores, ganha dimensões
nunca dantes imaginadas. Explicam-nos os Espíritos superiores
que não importa a crença do homem e sim o bem que ele
construa dentro de si e que realize pelos demais.
Deus não discrimina as pessoas por serem dessa ou daquela religião,
terem essa ou aquela condição social e econômica,
serem de uma ou de outra raça ou cor... Suas leis exigem, sim,
a vivência do amor para que as pessoas sejam felizes e realizadas
no cumprimento de sua função na vida.
A filosofia Espírita, coerente com a Lei Divina, esclarece, à
luz do princípio da reencarnação, que, como somos
todos filhos do mesmo Pai, não pode haver privilégios
para uns em detrimento de outros por motivos de crença, raça,
etc. Por isso afirma que a caridade não é patrimônio
particular de nenhuma religião ou crença, e, portanto,
está ao alcance de todos, ou seja, o bem pode ser praticado por
todo aquele que o deseje.
Bezerra de Menezes, em mensagem ditada através da psicografia
de Chico Xavier, em fevereiro de 1962, afirma que “...um prato
de sopa, em nome do Mestre, vale mais que centenas de palavras vazias,
quando as palavras estão realmente vazias de compreensão
e de amor. (...)” *.
O ideal, portanto, é juntar a ação no bem com palavras
de compreensão e amor! No entato, diz o refrão popular
que “falar é sempre mais fácil que fazer”.
Ao deixar-nos dominar pelos maus hábitos, acumulados ao longo
do processo evolutivo mal dirigido, podemos ser levados pelo costume
a falar muito; reclamar de quase tudo, criticar as atitudes, palavras
e ações dos demais; lamentar-nos pelos insucessos que,
em verdade, são decorrentes de nossa própria invigilância
e incúria... Submersos nesse tipo de experiências negativas,
raras vezes nos damos conta de que podemos e necessitamos mudar de atitude:
ser mais positivos diante das oportunidades que a vida nos oferece incessantemente
e aproveitar melhor o nosso potencial de realização, sendo
mais efetivos no direcionamento de nosso processo evolutivo e na colaboração
com os demais para o atendimento de suas dificuldades e problemas.
Nesse sentido, Bezerra complementa: “Entreguemos ao Senhor as
lutas estéreis a que somos tanta vez provocados, e prossigamos,
com Ele, no trabalho edificante do Bem”.
O egoísmo cega o homem, dificultando-lhe a compreensão
de que só há um caminho para a felicidade que ele tanto
almeja. Esse caminho é o do trabalho sincero e desinteressado
pela construção da felicidade dos demais.
Para aqueles que não estão familiarizados com o Espiritismo,
tudo isso pode parecer uma bela teoria distanciada da realidade, pois,
nos tempos atuais, tudo parece indicar que se não tomamos cuidado,
acabamos esmagados pela exploração, pelo roubo, pela agressão
dos outros.
É verdade que existem muitos problemas na convivência com
os demais, pois o mundo ultima uma fase de transição em
que a violência, a insegurança e o medo são elementos
disseminados por toda parte. Mas não será incluindo-nos
nessa conjuntura, explorando, roubando ou agredindo que vamos solucionar
nossos problemas. Ao contrário, vamos criar mais insatisfação
e angústia, além de comprometer-nos ante a lei divina,
ao assumir compromissos cármicos que teremos de resgatar mais
cedo ou mais tarde.
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"O
Evangelho é atualíssimo e a sua proposta é
tão válida agora como foi naqueles tempos."
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Há
aqueles que afirmam que o Evangelho não serve para os dias de
hoje. Realmente, são notórias as diferenças entre
a sociedade da época na qual ele foi apresentado aos homens e
a sociedade de nossa época. No entanto, observamos que, apesar
da evolução conquistada, as misérias e necessidades
morais de hoje são quase as mesmas, seguem quase como quando
Jesus veio em cumprimento de sua missão junto dos homens.
Portanto, o Evangelho é atualíssimo e a sua proposta é
tão válida agora como foi naqueles tempos. O auto-aperfeiçoamento
e a prática do bem ensinados pelo Mestre, através de uma
vida de renúncias e dedicação ao progresso próprio
e dos irmãos em humanidade, é ainda a solução
viável para o homem moderno que deseja integrar-se às
hostes dos trabalhadores da última hora.
sigue..........