Se somos espíritas ou temos alguma outra boa filosofia de vida, é nosso dever divulgá-la aos demais sem imposições descabidas. Mas é preciso estar conscientes de que os atos dizem mais que as palavras. Se a doutrina ou filosofia que adotamos é tão boa quanto dizemos, deve servir mais que para encher nossas bocas de belas frases. Se essas frases não são vazias de compreensão e amor, devem vir necessariamente acompanhadas da ação, da prática do bem que resultará na melhoria de nós mesmos e de nossos semelhantes. É lei natural que os mais atrasados, incentivados pelos exemplos daqueles que trabalham e se dedicam ao próximo desinteressadamente, se motivem a aprender, por sua vez, a praticar o bem.

"A Doutrina Espírita, em suas luminosas teorias, ao recomendar e explicar as vantagens da prática da caridade, revive o ensinamento do Cristo, esclarecendo sobre a necessidade de o homem por o amor em ação."


Recordemos que o amor foi apresentado por Jesus como condição para que o homem ganhasse o Reino dos Céus. A Boa Nova ficou registrada e repercutiu no seio de toda a Humanidade por Sua ação efetiva, pela prática do bem àqueles que O buscavam cheios de dores, sofrimentos e angústias. Através da pedagogia do exemplo, Ele ensinou, ao mesmo tempo, os seus discípulos a fazerem o mesmo.
A Doutrina Espírita, em suas luminosas teorias, ao recomendar e explicar as vantagens da prática da caridade, revive o ensinamento do Cristo, esclarecendo sobre a necessidade de o homem por o amor em ação. Aos seus adeptos cabe a tarefa de buscar transformação moral própria no esforço constante por dominar suas más inclinações, ao tempo em que se dedicam à prática do bem aos seus semelhantes.
Se é real que não podemos consertar o mundo, também é verdade que nada nos impede vencer o nosso orgulho e estender a mão àquele que, ao nosso lado, necessita ajuda e cooperação fraterna.

Se não podemos resolver todos os problemas das pessoas, podemos dominar o nosso egoísmo e dar um pedaço de pão ao faminto, uma palavra de consolo e esperança ao aflito, que, apesar de mergulhado em seu atroz sofrimento, espera o carinho e a ação de alguém que lhe possa oferecer a mão amiga e dizer: “vem, não te entregues à dor. Não chores mais. Estou aqui. Confia em mim porque sou teu irmão”.
Se Léon Denis tem razão ao afirmar que o Espiritismo será o que os homens fizerem dele, como espíritas sinceros, evitemos que a teoria espírita venha a perder o sentido para nós, transformando-se em letra morta carente de sentido e vida. Coloquemos em prática essa teoria que nos apresenta e explica o funcionamento da Lei Divina à luz da razão e que está compatível com a condição evolutiva por que passa a maior parte da Humanidade na atualidade.

* XAVIER, F. C. Trabalhando. In: ____. Bezerra, Chico e você. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. 7 ed. S. Bernado do Campo, GEEM, 1986. pp. 117-118.